• Categoria: término
  • terça-feira, 29 de novembro de 2016

    Não foi minha culpa, moreno

    Eu tento não pensar em você. Juro que tento. E ás vezes até consigo. Passo dias sem pensar em você, mas em noites como essa é inevitável. Fico me perguntando como você está, se já decidiu por alguma faculdade ou não, se está trabalhando, como está sua vida, será que você ainda tem um monte de gatos, será que se mudou novamente... São tantas perguntas. Me acostumei tanto a saber sobre a sua vida, sobre como foi seu dia. Me acostumei tanto com a sua presença, e agora que não te tenho mais comigo me sinto meio vazia.
    Há tanta coisa que eu queria te contar. Teve tantos momentos que precisei de você aqui. Tanta coisa que eu quis compartilhar contigo, mas não pude. A verdade é que esses últimos meses não tem sido fáceis, sabe? É estranho não acordar com um "bom dia" seu e ir dormir sem o seu "boa noite". É estranho ouvir as músicas que você cantava, e lembrar que outrora aquilo servia como um tipo de declaração para mim. É estranho ficar muito empolgada ou triste com algo, e correr para o WhatsApp procurando pelo seu nome e simplesmente não te encontrar lá. É estranho lembrar que acabou de vez.
    Fico me perguntando se é tão difícil pra você quanto está sendo pra mim. Já se passaram meses, e eu ainda estou aqui escrevendo um texto sobre você. Acho que parte de mim acredita que algum dia você chegará a ler isso. Lembro sobre como você ficava bravo comigo por causa dos textos, você sempre queria fazer questão de ler todos e eu tinha medo de te mostrar. E se você saísse correndo depois de ler? E se eu te assustasse com essa minha mania de ser intensa e sentimental demais? Eu tinha tanto medo. Tanto medo de que você se espantasse e sumisse da minha vida de vez. Só que isso não aconteceu, não é mesmo? Pelo contrário, você fazia questão de ler todos e sua reação era sempre o oposto do que eu pensei que fosse. Você gostava. Gostava de saber sobre o quão apaixonada eu era por você, sobre o quão esperto e especial eu te achava.
    Hoje me pergunto se tudo isso teve algum valor para você. Sabe, moreno, é bem difícil pensar em você, em nós. Você foi uma parte importante da minha vida, mas acabou. Está na hora de seguir em frente. Está na hora de um recomeço. Dessa vez não tem mais viagens para São Paulo para me esconder, não tem escola, muito menos shows e bebidas para me ajudarem a fingir que não sinto sua falta. Existem apenas noites vazias como essa. Noites em que a saudade fala mais alto e eu sou obrigada a colocar tudo pra fora.
    Minha real vontade neste momento era de ligar, de te falar tudo o que estou sentindo e como você foi idiota por ter me deixado aqui. Queria ser corajosa o suficiente para te dizer o quão babaca você foi comigo. Mas não sou. Por mais machucada que eu tenha ficado, nunca seria o bastante para te contar tudo o que você realmente me fez sentir. A verdade é que não sou muito boa em lidar com essas coisas, então guardo tudo pra mim. E tento me convencer de que está tudo bem, de que tudo irá ficar bem. Só que nada fica bem. Eu nem mesmo consigo me apaixonar novamente. Sempre que estou prestes a conhecer alguém novo e me envolver, eu corro. Você me deixou mais medrosa do que antes, sabia? Se antes eu já tinha medo, agora eu tenho muito mais. E isso é culpa sua, moreno. É tudo culpa sua.
    Você me fez bem, muito bem por sinal. Mas nada se compara a todo mal que você me fez. Eu estava tão apaixonada que faria qualquer coisa por você, por nós. Eu enfrentaria qualquer barreira, daria um jeito até na distância se precisasse. Só que você ferrou com tudo, ferrou com os nossos planos, ferrou com tudo o que construímos nos últimos anos. Você ferrou comigo, moreno. Estragou tudo. E o pior é que fez com que eu achasse que fosse minha culpa. Por muito tempo me culpei, me condenei por ter te perdido, quando na verdade foi você quem estragou o que tínhamos. Tudo o que eu fiz foi me apaixonar por você, enquanto você só soube mentir.

    domingo, 3 de julho de 2016

    Olha só pra ela

    Olha só pra ela, toda sorridente se acabando de dançar na pista. Você acha mesmo que ela precisa das suas migalhas de amor? Olhe lá, ela está bem, ela está feliz e se divertindo. Ela optou por não ficar em casa chorando por tudo o que aconteceu. Você não esperava isso, né?

    Veio para a balada ciente de que ela estava em casa, acreditando piamente que essa hora ela estaria se lamentando por você ter a deixado. Mas chegou aqui e surpreendeu, encontrou ela. Agora está aqui, a observando dançar com outro cara com um sorriso enorme estampado no rosto. Enquanto vira doses e mais doses de Whisky com esperança de que o álcool suma com todo essa raiva que está te consumindo por dentro.

    Deve ser difícil, ver ela, assim, tão próxima de outro cara. Você nunca imaginou que ela seguiria em frente, né? Achou que ela estaria sempre ali, sempre a sua espera, sempre disposta a te dar um espaço na cama dela a noite. Mas você errou feio. Ela finalmente se cansou e decidiu viver a própria vida.

    E agora? O que vai fazer? Não adianta encher o celular dela de mensagens, ela não vai ler. Ela está ocupada demais se divertindo. Também não adianta ligar, ela não vai atender. A música está alta demais para que ela ouça o celular tocar.

    Ela sempre adorou dançar, né? Mas você nunca aceitou dançar com ela, por quê mesmo? Ah, você odeia dançar. Se lembra do quanto ela insistia com você para que saíssem para dançar e você nunca dava o braço a torcer? Olha que ironia, parece que agora ela achou alguém com quem dançar e não precisa mais de você.

    Pra quê se doer tanto assim? Você nunca se importou realmente com ela. A deixou sozinha várias vezes. Nunca quis dançar com ela. Sempre a magoava, a fez chorar inúmeras vezes. Você não tem direito de ficar irritado por vê-la assim.

    Será que você não entende? Acabou. Game over. Ela seguiu em frente, cansou das suas grosserias, cansou de ir em festas e ter que ficar sempre sentada sem poder dançar, cansou de implorar amor.

    Ela está bem. Bem acompanhada, bem feliz e bem livre. Ela não quer mais saber das suas migalhas de afeto e do seu falso amor. Ela não é mais sua, ela é dela. Ela não precisa do seu amor. Ela descobriu o amor próprio e está bem consigo mesma.

    Você a teve nas mãos por muito tempo. E agora, perdeu.

    domingo, 5 de junho de 2016

    Queria dizer que estou te superando

    Sinto como se estivesse prestes a desmoronar. Há muito tempo não me sentia assim, tão vazia, tão oca. Não sei o que me causou isso, mas tenho a sensação de que irá demorar passar. Talvez seja resultado da ausência de alguém. Talvez seja consequência de um término. Talvez seja resultado da sua ausência. Talvez seja consequência do nosso término.

     Desde nossa última conversa que venho tentando me convencer de que realmente estou bem sem você. Mas, sinceramente? Estou longe de estar bem. Estou em pedaços. Você me quebrou. Me quebrou com tamanha força e vontade, que está difícil recolher os pedaços.

     Queria dizer que estou te superando. Queria muito poder afirmar que as coisas estão melhorando, mas você quem sempre foi o otimista da relação. Eu nunca consegui esperar o melhor de nada, você quem conseguia me passar um pouco de esperança. E agora sem você, quem é que vai me fazer acreditar que tudo vai ficar bem? E agora? Como posso ter a garantia que tudo irá se ajeitar, sem você aqui para me ajudar a ter fé?

     Me afastei de todos. Me perdi no meio da minha própria solidão. E não sei como sair daqui. Não sei em que direção seguir. Não sem você para me guiar. Não sem você para ser a minha luz no fim do túnel. Meus amigos já estão fartos dos meus dramas, alguns até mesmo devem estar aliviados por eu ter afastado, outros estão indiferentes e uma minoria está sendo mais paciente do que eu jamais pensei que alguém fosse capaz de ser.

     Sabe que toda essa minha situação chega ser até mesmo um pouco irônica? Sempre me achei tão independente, sempre fui tão determinada. Mal sabia eu o quão enganada estava sobre mim mesma. Nunca fui independente, apenas achei que fosse. A prova disso é o quão perdida estou sem você aqui. Sem querer, sem perceber me tornei dependente de você. Eu que sempre me gabei de ser madura o suficiente para não depender tanto de alguém, era completamente dependente de você. Irônico isso, não?

     Sabe o que é mais irônico? É que eu não fui a culpada de nada. Não fui eu que acabei com a gente. Minha ficha está completamente limpa. Dei o meu melhor e fiz o que pude para que déssemos certo. Foi você o culpado de tudo. Você que sempre dizia estar fazendo tudo para que pudéssemos ficar juntos. Você que vivia me fazendo juras de amor. Você que me fez acreditar que poderíamos ser para sempre. Você que dizia me amar. Você. Só você. Mas por algum motivo, não consigo te culpar por tudo. Não consigo sentir raiva ou remorso de você, ouso até mesmo dizer que não consigo sentir mais nada por você. Não por essa versão sua que conheci. Não por esse idiota que ferrou com todos os meus planos. Eu ainda amo o garoto brincalhão que conheci há alguns anos, ainda sou louca pelo moreno que me inspirou inúmeros textos e poesias. Eu ainda amo o garoto dos olhos castanhos que com um olhar conseguia me acalmar, ainda sou louca pelo garoto que usava músicas para se declarar. Mas você não é mais ele, você é o cara das promessas falsas, é o mentiroso que fez o meu mundo desabar.

     Talvez você sempre tenha sido esse cara. Talvez seja ilusão minha ainda acreditar que algum dia você foi a pessoa que eu realmente amei. Talvez você sempre tenha sido um mentiroso, eu quem nunca percebi. E quer saber? Não importa, não mais. Porque posso estar em pedaços, posso estar perdida, mas antes assim do que estar vivendo uma mentira. Posso estar quebrada agora, mas cedo ou tarde estarei inteira novamente e é isso que importa.