• Categoria: sociedade
  • sábado, 10 de fevereiro de 2018

    Relato sobre uma sociedade doente

    E cá estamos nós, em mais um ano político rumo às eleições. O que se vê por aí de pré-candidatos a presidência é fora do normal, parece que todos esses políticos acabaram de sair de um sono longo de quatro anos e acordaram famintos por poder. Na internet, nas emissoras de televisão, nos jornais todos tornaram-se especialistas políticos. Não importa o quão leigo a pessoa seja em relação ao assunto, o importante é “falar bonito” e criar polêmica.

    Infelizmente essa é a nossa realidade. As pessoas não procuram se informar, não se dão nem mesmo ao trabalho de pesquisar e estudar, se autodenominam críticos políticos e ponto. Além de criarem ideias equivocadas, tornam-se arrogantes ao ponto de não aceitarem quem possui uma opinião diferente.

    Tratam como inimigo quem defende uma ideologia oposta. É quase como se a democracia e a liberdade de expressão tivessem se tornado o maior pecado da humanidade. Ou você pensa igual a maioria ou é massacrado por eles.

    Até onde vamos chegar? Até que ponto vão ser arrogantes o bastante e fingirem não ver o quão nossa sociedade está doente? É como se estivéssemos retrocedendo dia após dia. Tornou-se comum ver pessoas por aí apoiando a volta de regimes opostos da democracia, pessoas que se dizem contra aos direitos humanos. Direitos esses que nos permitem viver numa sociedade, que nos dão a liberdade de ir e vir, de nos expressarmos como bem entendermos. Essa busca pela razão e por estar sempre certo tornou-se doentia. Nossa sociedade está doente e são poucos os que parecem enxergar isso.

    quarta-feira, 2 de agosto de 2017

    Não vá contra a maré

    Vejo várias pessoas, cada uma com seu caos. Estão todos juntos, mas, ao mesmo tempo, cada um está só. Cada um está por conta própria, não há união. Eles não aprenderam a ser assim. Estão ali esperando para ver quem será o próximo a cair, torcendo para não ser a bola da vez.

    É um verdadeiro caos, só que – quase – ninguém vê. Quem consegue ver, prefere se calar, não quer ser tachado de louco. Afinal, por algum motivo, qualquer um que pense diferente é chamado de louco.

    Não se pode nadar contra a maré, ou você se torna peixe morto. E ninguém liga para peixe morto. É isso que eles ensinam. Crescemos ouvindo isso. Não faça isso, seja normal, seja como eles. Não diga isso, seja normal, seja como eles. Não vista isso, seja normal, seja como eles. Vá à igreja todos os domingos.

    Se você for jovem e menina, seja comportada, se guarde para o casamento, não aja como puta, não vista roupas indecentes. Se você for jovem e menino, seja garanhão, seja o “fodão” da turma, não seja marica, não seja mulherzinha. Se você já for adulto, bom, as regras não mudam muito. Se você for mulher, case-se, o mais rápido possível, se passar dos 30 fica para titia, tenha filhos, seja dona de casa, seja esposa, seja mãe, mas lembre-se: seja recatada, não use roupas curtas, seja leal – submissa – ao seu marido, seja do lar. Se você for homem, aproveite ao máximo a vida de solteiro, beba todos, viaje pelo mundo, tenha uma vida sexual ativa, quando riscar tudo da sua lista, arranje uma mulher de “família”, tenha um trabalho fixo que te dê uma boa condição social e continue a ter a vida de antes, quem sabe até mesmo não ter uma segunda família em outra cidade ou uma aventura com uma mulher mais nova? Quem se importa? Homens. Sabe como são, não? Não dá pra segurar. Só não se esqueça: vá na igreja todos os domingos, pague seu dízimo ou seus pecados não serão perdoados.

    E aqueles que vão contra a maré, os peixes mortos, os loucos? Ah, ninguém quer saber deles. Pelo contrário, os querem longe, o mais longe possível. São maus exemplos, não vão à igreja aos domingos, não seguem os padrões, são completamente diferentes da multidão. No meio deles há mulheres que não são mais virgens e nem se quer casaram, há homens presos em corpos femininos e vice-versa. Que absurdo, não é? São maus exemplos, dizem a maioria. Eles não deveriam estar aqui. Eles não deveriam existir. Deus não criou ninguém assim. Mulher tem que se guardar até o casamento. Homens devem gostar apenas de mulheres. Mulheres devem gostar apenas de homens. Meninas não devem brincar de bola e meninos não devem brincar de bonecas. Não. Não é assim. Cada um tem seu papel, mas eles não seguem. Eles continuam indo contra a maré. Eles parecem tão felizes. Mas quem se importa? Não são a maioria. São pecadores. Não, não podemos nos misturar. Devemos mandá-los para a longe. Precisamos fazer com que eles se calem. Está ouvindo esses gritos? Ignorem. Continuem a seguir suas vidas. Não podemos deixá-los acabar com a família tradicional. Pelo contrário, devemos tentar convencê-los a nos seguirem. Mostrar-lhes o quão errado estão. E daí se estão felizes? Eles irão para o inferno. E daí se não parecem ser tão solitários quanto nós? Eles não estão seguindo as regras.

    quinta-feira, 19 de novembro de 2015

    VAI TER ROUPA CURTA SIM!

    Desde pequena sempre ouvi que nunca deveria sair tarde na rua sozinha, que roupas curtas eram proibidas, que eu não devia, de modo algum, ter relações sexuais antes do casamento ou ficar com várias garotos durante minha vida, que mulheres que tem essas atitudes são "putas". Devo dizer que durante uma grande parte da minha vida acreditei nessa ideologia, de quê se violasse qualquer uma dessas coisas estaria sujeita a ser taxada como "puta" e teria que aceitar, afinal, eu estaria fazendo o que putas fazem. Hoje tenho apenas 17 anos, e a maior parte da minha vida pensei assim. Cheguei até mesmo taxar algumas garotas como puta por estarem infligindo as regras que me fizeram acreditar que existiam.
    Eis que eu cresci um pouco, o bastante para começar a pensar sozinha, e comecei a questionar. Por que diabos eu não podia usar uma saia curta? Oras, meu corpo, minhas curvas, minhas pernas. O que o restante das pessoas tem haver com isso? Se me sinto bem com devida roupa, o correto é que eu a use, certo? Então, por quê tanto mimimi se uma mulher resolve mostrar as pernas ou usar um decote? Essas perguntas foram surgindo, e junto com elas vieram várias outras. Cheguei até mesmo questionar minha mãe sobre isso, mas nenhuma de suas respostas me pareceram válidas. Segundo minha querida mãe, mulheres não devem usar roupas curtas, nem abusar de decotes, e se resolver usar deve aceitar calada os julgamentos e olhares maldosos, os abusos e até mesmos agressões. E assim como minha mãe, há várias pessoas por aí com o mesmo pensamento e até mesmo com pensamentos piores.
    Sabe o que mais me deixa perplexa com tudo? É saber que existem mulheres com pensamentos tão retrógrados, tão machistas. E quando falo dessas mulheres, não me refiro á uma minoria, e sim um grande número de mulheres machistas, que são capazes de julgar o caráter de uma pessoa apenas por um par de pernas a mostra. Me diz, onde está escrito que não se pode usar roupas curtas? Cada um é livre para usar o que bem entender, não é? Não é porque estou com uma saia ou um vestido curto que estou pedindo para ser abusada. Pelo contrário, NINGUÉM pede isso, mulher nenhuma pede para ser estuprada. Ela estar ou não de roupa curta, com decote ou não, estar enchendo a cara numa balada ou até mesmo estar na rua á noite sozinha, nada disso é pedir para ser "estuprada".
    Independente de como se veste, se comporta, toda mulher deve ser respeitada. Roupa não faz de ninguém puta. Mas taxar alguém assim pelo o que está vestindo faz de você um puta idiota machista.